
A Flamus conversou com André Biage sobre a trajetória que começou no jornalismo, passou pela psicanálise e chegou à criação de conteúdo sobre saúde mental. Na entrevista, ele fala sobre as diferenças entre psicanálise e psicologia, o imediatismo como um dos maiores riscos à saúde mental hoje, e a rotina que equilibra consultório, graduação e cuidado pessoal.
Com Freud, Jung e a professora Lúcia Helena Galvão como referências, André mostra como o autoconhecimento pode ser ensinado de forma didática e acessível, e por que a terapia ainda é o melhor caminho para quem quer se entender melhor.
Confira a entrevista completa:
Como você começou na psicologia e o que te motivou a transformar seu conhecimento em conteúdo?
A psicanálise surgiu num momento de infelicidade profissional. Eu era jornalista, trabalhava como produtor e repórter. Comecei a pesquisar alguns conteúdos por curiosidade e gostei do assunto. Comecei a fazer o curso enquanto ainda trabalhava com comunicação social e, após o fim do curso, comecei meu processo de transição de carreira. Apesar disso, a comunicação social faz parte da minha vida, então produzir conteúdo para a internet acabou complementando a minha vivência enquanto psicanalista.
Quais são os maiores desafios na hora de conciliar o trabalho de criador de conteúdo e psicólogo?
Acredito que o principal desafio seja o tempo. Fora isso, a clínica e os estudos psicanalíticos me ajudam a ter inspirações para a produção dos conteúdos.
Qual abordagem você utiliza nos seus atendimentos?
Eu uso a psicanálise de Freud, mas flerto muito com o entendimento que Jung teve dos estudos de Freud. Acredito que Jung conseguiu trazer uma visão necessária para a nova sociedade. Não é tudo que Freud postulou que faz sentido na sociedade atual.
Quais hábitos você considera que podem prejudicar a saúde de uma pessoa?
Hoje o pior hábito para a saúde mental de uma pessoa é o imediatismo das coisas. Esse ponto entra na questão da neurofisiologia e dos sistemas de recompensa. Com as redes sociais, mensagens instantâneas e as facilidades do dia a dia moderno, estamos cada vez menos dispostos a esperar o tempo das coisas. Isso pode acarretar graves transtornos, como o Transtorno de Ansiedade Generalizado, por exemplo.

Como é o seu dia a dia na prática? Tem alguma rotina que você segue sem falta?
Meu dia é bem corrido. Além do consultório, estou no último período de psicologia. Algumas pessoas ainda confundem e acham que psicanálise e psicologia são as mesmas coisas, mas não são. Como estou no último período, me desdobro em três para poder cuidar da minha agenda de pacientes, terminar a graduação e cuidar de mim. Duas coisas que definitivamente não podem faltar: exercício físico todos os dias assim que acordo e terapia uma vez na semana, claro.
Se você pudesse indicar uma pessoa que te inspira nesse universo de saúde e bem-estar, quem seria e por quê?
Eu tenho algumas referências nessa área, mas certamente uma das principais é a professora Lúcia Helena Galvão. Os conteúdos dela são muito didáticos e nos ensinam a enfrentar com muita lucidez os desafios da sociedade atual quando o assunto é saúde mental.
Além de profissional da saúde, você também está entre os Creators da Flamus. Que mensagem quer transmitir para seus fãs e seguidores?
Quero dizer que nem tudo é como parece. Não importa onde você está ou o que você está passando. Sempre existem outros meios e caminhos que nossa mente não nos permite ver. O autoconhecimento é importantíssimo para aprendermos a não cair nas nossas próprias armadilhas e repetições. Precisamos treinar nosso cérebro e nossa psique para sempre enxergar os melhores caminhos para nós, e a melhor forma de fazer isso é através da terapia. Sua melhor versão sempre vai ser após a sua próxima sessão de terapia.
Pra finalizar, ser Flamus pra você é…
Poder partilhar um conteúdo que deveria ser ensinado desde criança. Se ouvir, se entender, saber os sinais de socorro da sua mente são coisas muito importantes. Não deveríamos sair da escola sem alguns entendimentos sobre esses aspectos. Então, ser Flamus é poder falar sobre esses assuntos de forma democrática e acessível para todos.
Conheça André Biage na Flamus
Curtiu a entrevista com André? Você pode acompanhar o trabalho dele e interagir com o Creator no perfil dele da Flamus.


