Tem homem que gosta de moda, mas aprendeu a disfarçar esse interesse.
Que quando escolhe uma camiseta diferente já imagina os comentários. Pensa em usar um acessório, mas deixa na gaveta. Ou, compra um produto de skincare e trata isso como piada, como se se cuidar fosse motivo de constrangimento.
A grande questão é que moda é sobre pertencimento, identidade e fase de vida. Afinal, uma roupa também é uma forma de comunicação, independentemente do gênero.
E, quando falamos de homens na moda, existe mais uma camada que precisa ser observada: a pressão para parecer masculino “do jeito certo”.
Então, vamos botar fogo nesse assunto, que tem muita coisa pra ser falada!

O “medo masculino” de parecer exagerado, feminino ou diferente
Existe um “uniforme seguro” no estilo masculino. Camiseta neutra, calça básica e tênis discreto. Mesmo pra quem é mais formal, o manual segue o mesmo: pouca cor, volume e , óbvio, risco.
Nada contra o estilo básico. Tenho até amigos que usam. A questão está em adotar esse estilo para se apagar por trás da roupa, alegando não ter interesse em moda. Quando, na verdade, existe um preconceito velado.
O universo masculino evita se expressar por meio do estilo porque homens aprenderam que se importar com o visual pode ser lido como fraqueza, excesso de sensibilidade ou vaidade. A ideia roda na concepção de que cuidar da aparência é uma preocupação feminina e emocional, enquanto a virilidade está atrelado à racionalidade e praticidade da forma mais crua possível.

Como a masculinidade frágil limita escolhas de estilo
A masculinidade frágil está por todo canto. No comentário sobre a camisa rosa, na piada com quem cuida da pele, no estranhamento quando vê alguém usando algum adereço diferente – pode ser uma bolsa, brinco, unha pintada ou até uma roupa mais justa. O medo maior parece ser nunca sair do padrão e comprovar sempre ser “muito macho”.
Como se moda, beleza e estilo fossem territórios exclusivos das mulheres. Isso fez com que o guarda-roupa masculino precisasse caber dentro de uma régua estreita demais. Na prática, isso limita também a presença e a personalidade: o homem não veste o que gosta, veste o que não será questionado.
Estilo e metrossexualidade não são a mesma coisa
Sabe quando todos os homens de um ambiente parecem estar vestidos de jeans e camiseta preta? É uma consequência do acordo silencioso que falamos ali em cima: ninguém chama muita atenção, ninguém parece vaidoso demais, ninguém corre o risco de ouvir piada.
Existem muitos rótulos que fazem um homem correr do estilo como o diabo foge da cruz. Um dos mais conhecidos é o “metrossexual”, usado para falar de homens que se preocupam mais com aparência do que o “normal”, como se isso fosse uma categoria à parte.
Só que estilo e autocuidado não precisam cair no mesmo pacote.
Ter estilo é entender como você quer aparecer no mundo (e o estilo básico é válido também, tá? Desde que seja escolhido por um propósito, como o de ter mais conforto).
O estilo masculino pode ser básico, clássico, esportivo, elegante, experimental e mudar de acordo com a fase da vida.

Já o autocuidado está mais relacionado ao cuidado com o corpo, como rotina de skin care, cuidados com a barba, unhas, cabelos, depilação, entre outros.
A metrassexualidade seria o “exagero” nesse cuidado. Não vou entrar aqui na semântica da coisa, mas vale pontuar que rótulos como esse podem levar até algo que deveria ser hábito (como cuidar da barba) a ser considerado ameaça à masculinidade.
O que mudou com redes sociais, Creators e referências mais diversas
Sabemos que as redes sociais têm o poder de reforçar padrões e preconceitos. Mas, ao mesmo tempo, esse território tem sido um porto seguro para homens interessados em moda e estilo. Para Creators, esse tema abre uma conversa potente.
Hoje, homens encontram consultores de imagem, barbeiros, visagistas, stylists, influenciadores de skincare, alfaiataria, streetwear e beleza masculina em perfis espalhados por todas as redes sociais.
Esses criadores de conteúdo têm o papel essencial de ampliar o repertório masculino.
E as telas maiores também abriram espaço para conversas sobre estilo, autocuidado, e homens na moda, com séries como Queer Eye, Dressing Funny e o documentário Savile Row.
A exposição Fashioning Masculinities, do V&A, também reforça que roupa constrói imaginários de masculinidade.
Homens na moda e liberdade de expressão
Já está mais do que na hora de mudar o ponto de vista sobre quem se interessa por estilo de “masculinidade frágil” para a capacidade de mostrar repertório, inseguranças, referências, escolhas e modos possíveis de existir.
Um homem pode gostar de camiseta branca e jeans, usar alfaiataria colorida, cuidar da pele, pintar a unha, usar bolsa, saia, barba desenhada ou cabelo comprido. Nenhuma dessas decisões deveria precisar de defesa pública.
Na Flamus, Creators encontram um espaço para levar esse tipo de conversa além do post, aproximar audiência e construir uma relação mais direta com quem valoriza o que eles criam. Encontre a sua chama


