Em 2026, Cannes Lions ampliou como nunca o espaço dedicado à Creator Economy. O LIONS Creators passou a ocupar os cinco dias do festival, ganhou programação com estrutura própria e colocou criadores de conteúdo ainda mais perto do centro de uma indústria que, durante muito tempo, os enxergou principalmente como canais de distribuição.
Mas, esse não é um movimento isolado. Em 2025, o festival já havia trocado o nome da categoria “Social & Influencer Lions” para “Social & Creator Lions”. Pode parecer apenas uma mudança de nomenclatura, mas é difícil olhar para essas escolhas sem enxergar uma transformação maior.
Criadores não estão apenas ganhando mais espaço. O mercado está começando a rever onde está o valor de quem cria.
“Audiência observa. Comunidade constrói.”
Participei do do Summit Mulheres nas Profissões e durante a palestra da Ana Paula Renault a posição que ela defendeu acendeu uma luz na minha cabeça: “Audiência observa, comunidade constrói.”
A frase já seria boa por si só. Mas ganha outra camada quando vem de alguém que acaba de vencer o maior reality show do país, em uma disputa decidida justamente pela capacidade de mobilizar pessoas.
Claro que ganhar o BBB envolve narrativa, estratégia, identificação e inúmeros outros fatores. Só que existe uma diferença importante entre ter milhões de pessoas assistindo e fazer com que parte delas escolha que você merece ser a próxima milionária do país.
Foi aí que Cannes e BBB, dois universos aparentemente distantes, começaram a parecer conectados para mim. Talvez os dois estejam mostrando que chamar atenção já não é suficiente. O valor está também no que conseguimos construir depois que a atenção chega.
Mais visibilidade também significa uma mudança de lugar
Desde o início, a lógica da Creator Economy parecia relativamente simples: construir audiência, ganhar alcance e transformar essa visibilidade em publicidade. Esse modelo continua existindo e continua importante. O que mudou foi que ele deixou de ser o único caminho possível.
Quanto mais o mercado amadurece, mais criadores de conteúdo deixam de aparecer apenas no final de uma campanha, responsáveis por distribuir uma mensagem criada por outras pessoas, e passam a ocupar espaços de estratégia, criação, cultura e relacionamento com pessoas que decidiram continuar por perto.
E essa relação abre outras possibilidades.
Quando muda o valor, mudam também as formas de monetização
Publicidade e parcerias com marcas continuam sendo parte importante da economia dos Creators. Mas hoje elas podem conviver com assinaturas, produtos próprios, experiências, eventos, conteúdos exclusivos, licenciamento, financiamento recorrente e projetos autorais.
Para mim, o avanço não está em substituir uma fonte de receita por outra. Está em poder ter mais de uma.
Quanto mais caminhos existem para sustentar o próprio trabalho, menos sua carreira fica dependente exclusivamente da próxima campanha ou da mudança de algoritmo. E é aí que a monetização começa a conversar diretamente com a independência.
Independência é poder escolher
Ser independente não significa criar sozinho ou deixar de trabalhar com marcas. Significa ter mais margem para escolher. Escolher quais parcerias fazem sentido, quais projetos aceitar, o que criar e o que recusar.
E quanto maior essa autonomia, maior também pode ser o espaço para preservar aquilo que torna um criador de conteúdo reconhecível. Talvez por isso “autenticidade”, uma palavra tão repetida nos últimos anos, esteja começando a assumir um significado mais interessante.
Uma linguagem própria, um ponto de vista, um humor, uma estética ou uma maneira específica de se relacionar com uma comunidade são difíceis de copiar. Autenticidade começa a funcionar como um ativo. E, em alguns casos, até como propriedade intelectual.
Da economia da influência para a economia da autoria
Quando junto esses movimentos, tenho a impressão de que estamos entrando em uma nova fase da Creator Economy. A primeira grande conquista foi permitir que pessoas construíssem audiência sem precisar necessariamente de uma emissora, editora ou grande veículo.
A próxima talvez seja permitir que essa audiência se transforme em algo que pertença cada vez mais a quem cria.
Estamos passando, pouco a pouco, de uma economia da influência para uma economia da autoria. E é difícil acompanhar essa transformação sem pensar também no tipo de estrutura que os criadores vão precisar para sustentá-la.
Se comunidade passa a ter mais valor, precisamos criar caminhos para aproximar quem cria de quem realmente quer participar. Se a carreira precisa depender menos de uma única fonte de receita, precisamos ampliar as possibilidades de monetização. E se autenticidade se torna um ativo, precisamos encontrar formas de gerar valor a partir dela.
Foi dessa inquietação que a Flamus nasceu. Desde o começo, a gente quis construir uma plataforma capaz de ajudar quem cria a sustentar seus projetos autorais sem precisar abrir mão justamente daquilo que os torna únicos. Porque, quando a renda depende só do algoritmo, da próxima publi ou de uma parceria que apareceu, existe sempre o risco de a criação começar a se adaptar mais ao que paga a conta do que ao que aquela pessoa realmente quer colocar no mundo.
A Flamus existe para quem cria e quer transformar audiência em recorrência
É um espaço onde Creators podem reunir sua comunidade e criar uma fonte regular de receita por meio de assinaturas, aproximando quem produz de quem realmente dá valor àquele conteúdo.
A ideia não é substituir marcas, redes sociais ou outras formas de monetização, mas dar mais autonomia para escolher quais espaços ocupar, quais parcerias fazer e quais histórias contar.
Porque, quanto mais conseguimos sustentar tudo o que existe ao redor da criação, mais espaço sobra para o que realmente importa: criar.


