Quem nunca digitou no Google “como saber o peso ideal”?
Essa pergunta “simples” carrega séculos de história. Ideais de beleza são construções culturais que mudam conforme o contexto político, econômico e tecnológico.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a “Gibson Girl” de cintura marcada e quadris volumosos no fim do século XIX deu lugar às flappers magérrimas dos anos 1920. Depois, às pin-ups curvilíneas nos anos 1940 e às supermodelos “heroína chic” super magras dos anos 1990.

Antes disso, na Itália renascentista, braços e pernas carnudos, quadris largos e barrigas arredondadas eram considerados sensuais. Das silhuetas valorizadas pela moda às febres de exercício de cada época, esse vai-e-vem mostra que o padrão corporal ideal é histórico e cíclico, não científico.
Hoje vivemos mais uma virada. Depois de anos de valorização de corpos diversos impulsionada pelo movimento body positive, surgem sinais de retrocesso.
Body Positive e Movimento Corpo Livre
O termo body positive surgiu na década de 1990, como desdobramento do movimento de “fat acceptance” dos anos 1960, para combater padrões opressivos de beleza e promover a aceitação de todos os corpos.
No Brasil, a jornalista e influenciadora Alexandra Gurgel fundou o Movimento Corpo Livre, defendendo a pluralidade de corpos e denunciando preconceitos ligados à raça, deficiência, gênero e saúde mental.
Criadoras como a bailarina e ativista Thais Carla tornaram-se símbolos do movimento. Após sofrer críticas por fazer cirurgia bariátrica, Carla afirmou que o body positive é sobre ser livre e feliz em qualquer corpo. Assim, a cirurgia foi uma decisão de saúde, não de estética.
Esses exemplos mostram que o movimento sempre teve uma verdade: aceitar o próprio corpo não é deixar de cuidar dele.

A volta da magreza e o papel das “canetas emagrecedoras”
Um relatório de moda apontou que apenas 0,3 % dos looks nas semanas de moda outono/inverno de 2025 eram plus‑size. A designer Hillary Taymour, da marca Collina Strada, criticou publicamente esse retorno. Segundo ela, a tendência se associa à popularização de medicamentos para perda de peso, como a semaglutida.
E ela não está errada. A jornalista Michelle Konstantinovsky notou algo intrigante. Após a publicação da matéria “Bye-Bye Booty: Heroin Chic Is Back”, em 2022, celebridades magras perderam mais peso.
Os inibidores de GLP-1 ganharam fama para perder “2 kg ou 5 kg” por estética. Mesmo sendo desenvolvidos para diabetes tipo 2 e obesidade severa. Esse uso sem indicação médica pode gerar muitos riscos à saúde (como sintomas de anorexia e bulimia) e impulsionar a volta do desejo pelo corpo magro a qualquer custo.

O peso ideal não cabe na balança
Para quem busca “como saber o peso ideal”, é importante entender que não existe um número mágico.
O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma referência, mas não avalia composição corporal, histórico de doenças ou nível de atividade física. Pessoas com o mesmo IMC podem ter rotinas, corpos e necessidades totalmente diferentes.
Mais do que perguntar “quanto devo pesar?”, vale refletir: “meu corpo está funcionando bem?”. Dormir bem, ter energia, manter exames em dia, sentir‑se bem ao comer e viver sem obsessão pela balança são indicadores de saúde mais relevantes.
O “peso ideal” deve ser uma faixa segura e sustentável, compatível com sua rotina e definida junto a profissionais de saúde. Tudo com muita empatia e compassividade.
Criar conteúdo sobre corpo exige responsabilidade
Para criadores de conteúdo, especialmente nas áreas de saúde e fitness, falar sobre peso significa influenciar autoestima e comportamento.
Quando a estética magra volta às passarelas e as redes sociais bombardeiam corpos “emagrecidos”, reforçar discursos simplistas sobre “peso ideal” pode alimentar culpa e comparação.
Vale trocar expressões como “corpo perfeito” por “corpo possível” e lembrar que estética e saúde não são sinônimos.
Na Flamus, ajudamos Creators a transformar conteúdo em comunidade com autonomia e responsabilidade.


