Stylist fala sobre carreira, inspirações e muito mais
“Cada pessoa constrói sua própria narrativa visual. Cafona pra mim é apontar isso de forma crítica.”
Tulio Melles — Stylist, consultor de moda, figurinista e Creator
A Flamus teve um bate papo super interessante com Túlio Melles, renomado estilista que já trabalhou com marcas mundiais como Disney Brasil, Marvel e Avon.
Confira a entrevista completa e exclusiva Flamus:
Qual sua área de atuação e como escolheu sua profissão?
Atuo de forma autônoma em diferentes frentes dentro da moda: como figurinista para audiovisual, consultor de imagem voltado ao público masculino e também como estilista, desenvolvendo produtos, como foi o caso da Flamus. Minha entrada na área aconteceu de forma orgânica. Eu cursava o segundo ano de Desenho Industrial quando comecei a frequentar algumas aulas da faculdade de Moda e me encantei. Já existia um interesse desde a infância, muito influenciado por uma prima mais velha formada na área.
Quais os maiores desafios e inspirações na sua área?
Um dos maiores desafios é traduzir o quanto a moda é política — o quanto ela funciona como linguagem e veículo de comunicação. A roupa constrói presença, molda percepção e carrega códigos culturais. Moda é sempre reflexo (ou ruptura) de um contexto social. Minha maior inspiração vem das ruas: da forma como os símbolos transitam entre passarelas, cotidiano e, hoje, também pelas redes sociais. É nesse fluxo que a roupa ganha significado real.
Moda tem gênero? Que peças não podem faltar em um guarda-roupa?
Se o próprio conceito de gênero é uma construção social, não faz sentido limitar roupas a isso. Roupa não tem gênero, tem caimento, proporção e contexto. Uma peça funciona quando valoriza o corpo, sem distorcer proporções de forma indesejada, e quando respeita a ocasião. Vivemos em sociedade e a roupa é lida antes da fala. Um exemplo simples: um cropped pode funcionar perfeitamente em certos contextos, mas não seria adequado em uma reunião de negócios.
Pra você, o que nunca sai de moda e o que já está ultrapassado?
Sentir-se bem, confiante e elegante nunca sai de moda. Uma boa camisa branca, levemente oversized, é uma peça atemporal — mas a prática da consultoria me ensinou que cada caso é único. A moda é democrática. O que considero ultrapassado é julgar o outro pelas escolhas de estilo. Cada pessoa constrói sua própria narrativa visual. Cafona pra mim é apontar isso de forma crítica.
Você foi o estilista que idealizou as peças da Flamus. Como foi o estudo para escolher as peças, estampas e aplicações? Quais as inspirações?
Antes de iniciar a criação, tive uma reunião com os times de marketing e branding para entender os pilares da marca: cores, posicionamento e linguagem. Por serem os primeiros produtos, existia a necessidade de equilibrar informação de moda com um caráter institucional. Por isso, optamos por peças versáteis, fáceis de inserir no cotidiano. Nas estampas, usei como base o degradê de cores da própria marca, combinado com referências gráficas da Bauhaus.
Além de estilista, você também está entre os Creators na Flamus. O que quer transmitir de mensagem para seus fãs?
Quero comunicar a importância da moda na construção de uma imagem pessoal coerente e como entender o próprio estilo faz parte de um processo mais amplo de autoconhecimento.
Pra finalizar, ser Flamus pra você é…
Ter uma mensagem a transmitir além da imagem, extrapolar os âmbitos da rede social.
Confira algumas das peças criadas pelo estilista:



Links do criador
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